Um drama extremamente melancólico que a diretora espanhola nos apresenta. Talvez isso defina bem o que vai encontrar em Fatal. Isso não é nenhuma novidade se você já conhece outros filmes feitos por ela como A Vida Secreta das Palavras e Minha Vida Sem Mim. Também não quer dizer que seja igual aos outros. É apenas uma constatação do que você pode esperar do filme.
Assim como seu personagem principal, David Kepesh, interpretado por Ben Kingsley, Fatal é um filme lento, metódico, em alguns momentos perfeccionista, delicado, inteligente, repleto de referências, dramático. Mas uma coisa os diferencia: a inexperiência.
Apesar de sua idade um pouco avançada, David, professor e crítico cultural, se mostra completamente inexperiente diante do amor e da beleza de Consuela Castillo, interpretada por Penélope Cruz. Ele se encanta e se surpreende a cada passo de sua jovem aluna. Sofre como um garoto de 15 anos frente à uma decepção amorosa e foge de um relacionamento sério a todo custo.
Ao retratar de maneira impressionante essa contradição, o filme não peca pela inexperiência de sua direção. Muito pelo contrário, vemos uma rara maturidade com relação ao domínio da linguagem cinematográfica. Apesar disso, é um filme difícil de ser assitido por sua lentidão necessária.
Baseado na obra O Animal Agonizante, do escritor Philip Roth, Fatal é um ótimo exemplo de adaptação bem sucedida e vale a pena ser visto.
Vida longa ao cinema! Vida longa ao blog!
Guilherme Maia

Um dos melhores filmes que assisti recentemente. Uma obra-prima dos irmãos Coen que, apesar de parecer uma tarefa quase impossível, dessa vez se superaram. Grande vencedor do Oscar de 2008, concorrendo com, na minha opinião, a melhor safra dos últimos tempos da Academia.
Sem dúvida um dos filmes mais comerciais que o diretor Spike Lee já fez em sua filmografia que, está carregada de críticas sociais e posicionamentos políticos bem claros e objetivos. Mas não é por isso que O Plano Perfeito deixa de ser um dos melhores do diretor, afinal, nele, o diretor teve que se superar para encaixar suas críticas de maneira que o filme não perdesse seu forte apelo comercial.
There will be blood. Esta talvez seja a conclusão do diretor Paul Thomas Anderson sobre o conflito entre o capitalismo e o fanatismo religioso. Conflito que se estabelece claramente em Sangue Negro, através das impecáveis atuações de Daniel Day-Lewis e Paul Dano. O primeiro, representa um visionário mineirador em busca de sua obsessão: o petróleo. Extremamente ganancioso, Daniel Plainview é a figura que representa o capitalismo em seu estado mais crítico e cru. Já Paul Dano, está do outro lado do conflito. Ele representa Eli Sunday um carismático pastor que, aos poucos, se mostra refém de um fanatismo religioso sem proporções.
Com certeza, Quantum of Solace não é o melhor filme da série. Mesmo assim, não pode deixar de ser visto, afinal não ser o melhor de uma sequência impressionante de 22 filmes não é tão ruim assim.
Provavelmente você já ouviu alguém dizer: “Não gosto de filmes de guerra, o único que eu gostei foi O Resgate do Soldado Ryan…”. Sim, em um primeiro momento isso pode parecer estranho, um tanto quanto contraditório. Mas depois de ver algumas vezes o filme, percebi que, na verdade, faz todo sentido.
Considerado por muitos o melhor filme de Brian DePalma, o segundo melhor filme do gênero, perdendo apenas para a imbatível trilogia O Poderoso Chefão, Os Intocáveis (The Untouchables) mostra todo o perfeccionismo técnico de DePalma e uma trama que deixa o espectador sem piscar os olhos por 119 minutos.
Quase 20 anos após o lançamento de Touro Indomável, a crítica e os estudiosos de cinema rasgam elogios ao filme de Martin Scorsese, mas nem sempre ele foi assim. Em 1980, ano em que foi lançado, o filme recebeu duras críticas sobre as imagens forte violência e o realismo delas. Talvez porque, até então, não haviam muitos filmes que se importassem em mostrar com claresa uma luta de boxe, por exemplo. Na época, os filmes que faziam sucesso eram carregados de fantasias.
Para quem gosta dos filmes de guerra atuais, cheios de ação, tiros, mortes, explosões etc, eu não recomendo que assista “Nascido para Matar“. Na minha opinião, esse é um dos melhores filmes do diretor, mas pode deixar a desejar aos espectadores que esperam ver um “filme de guerra”. Apesar de estar dentro do contexto histórico da Guerra do Vietnã, o diretor fez um recorte muito mais interessante de uma guerra: seu lado psicológico. Enquanto vários diretores gastaram milhões para reproduzir com perfeição o ambiente e as explosões da guerra, Kubrick preferiu gastar milhões para reproduzir o psicológico de cada soldado e de toda a população americana da época.
Nos dias de hoje, Quentin Tarantino já é conhecido por fazer filmes violentos, sangrentos, com situações no mínimo bizarras e personagens extremamente complexos, porém bastante objetivos. Em “Cães de Aluguel“, sua estréia como diretor, não poderia ser diferente. Como muitos ainda não conheciam Tarantino e não sabiam o que esperar do jovem diretor, as críticas foram pesadas quanto a violência e o excesso de sangue em algumas cenas. Mas tudo é justificado quando compramos a idéia de Tarantino. Para assistir um filme do diertor, temos saber que estamos assistindo um filme dele. Parece estranho falar isso, mas é verdade. Se você alugar “Cães de Aluguel” e assistir sem saber que o diretor é Quentin Tarantino e que, só por isso, você está prestes a assistir cenas bizarras de violência e muito sangue, talvez você não termine de ver o filme.