Fatal (Isabel Coixet)

•16/11/2009 • 1 Comentário

Um drama extremamente melancólico que a diretora espanhola nos apresenta. Talvez isso defina bem o que vai encontrar em Fatal. Isso não é nenhuma novidade se você já conhece outros filmes feitos por ela como A Vida Secreta das Palavras e Minha Vida Sem Mim. Também não quer dizer que seja igual aos outros. É apenas uma constatação do que você pode esperar do filme.

Assim como seu personagem principal, David Kepesh, interpretado por Ben Kingsley, Fatal é um filme lento, metódico, em alguns momentos perfeccionista, delicado, inteligente, repleto de referências, dramático. Mas uma coisa os diferencia: a inexperiência.

Apesar de sua idade um pouco avançada, David, professor e crítico cultural, se mostra completamente inexperiente diante do amor e da beleza de Consuela Castillo, interpretada por Penélope Cruz. Ele se encanta e se surpreende a cada passo de sua jovem aluna. Sofre como um garoto de 15 anos frente à uma decepção amorosa e foge de um relacionamento sério a todo custo.

Ao retratar de maneira impressionante essa contradição, o filme não peca pela inexperiência de sua direção. Muito pelo contrário, vemos uma rara maturidade com relação ao domínio da linguagem cinematográfica. Apesar disso, é um filme difícil de ser assitido por sua lentidão necessária.

Baseado na obra O Animal Agonizante, do escritor Philip Roth, Fatal é um ótimo exemplo de adaptação bem sucedida e vale a pena ser visto.

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Guilherme Maia

Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel e Ethan Coen)

•22/10/2009 • Deixe um comentário

onde-os-fracos-nao-tem-vezUm dos melhores filmes que assisti recentemente. Uma obra-prima dos irmãos Coen que, apesar de parecer uma tarefa quase impossível, dessa vez se superaram. Grande vencedor do Oscar de 2008, concorrendo com, na minha opinião, a melhor safra dos últimos tempos da Academia.

A construção dos personagens feita pelos Coen é nada menos do que impecável. Os pilares da sociedade moderna estão representados em cada um deles de maneira que apenas uma péssima atuação poderia estragar a obra. Porém, nesse sentido, Onde os Fracos Não Tem Vez não peca em nenhum detalhe.

Com uma atuação perfeita de Javier Bardem, Anton Chigurh se apresenta como um assassino extremamente frio e cruel. Simplesmente impressionante a aula de atuação que ator espanhol nos apresenta. O suspense e o medo tomam conta do ambiente quando Chigurh entra em cena.

O filme também conta com Tommy Lee Jones, dono de uma filmografia bastante extensa e de papéis sempre marcantes. Em Onde os Fracos Não Tem Vez, o ator interpreta o xerife Ed Tom Bell que vai atrás de Llewelyn Moss (Josh Brolin), um veterano do Vietnã que encontrou uma maleta com US$ 2 milhões em meio a uma massacre no deserto texano, antes que ele seja assassinado pelo impiedoso Anton Chigurh.

Além de grandes atuações, o filme também conta com diálogos perfeitos. Nem sempre objetivos, mas extremamente inteligentes e cheios de um humor nada fácil de ser digerido. Importante destacar que o filme é uma adaptação do livro homônimo de Cormac McCarthy e os diálogos apresentados pelos irmãos Coen na grande tela são extremamente fiéis aos originais. Para quem gostar do gênero, vale a dica do livro que chega a ser tão impressionante quanto o filme.

Enfim, mesmo que você tenha algum tipo de pré-conceito com os diretores, com o gênero ou até mesmo com algum ator, esse filme é altamente recomendável. Afinal, não é sempre que vemos uma obra tão intrigante e demonstra com tanta clareza as inúmeras possibilidades que a linguagem cinematográfica pode nos proporcionar.

Onde os Fracos Não Tem Vez é um filme extremamente moderno com referências claras a gêneros classicos do cinema.

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Guilherme Maia

O Plano Perfeito (Spike Lee)

•15/10/2009 • Deixe um comentário

oplanoperfeitoSem dúvida um dos filmes mais comerciais que o diretor Spike Lee já fez em sua filmografia que, está carregada de críticas sociais e posicionamentos políticos bem claros e objetivos. Mas não é por isso que O Plano Perfeito deixa de ser um dos melhores do diretor, afinal, nele, o diretor teve que se superar para encaixar suas críticas de maneira que o filme não perdesse seu forte apelo comercial.

Com um argumento simples e extemamente batido, O Plano Perfeito tinha tudo para ser apenas mais um filme sobre assalto a banco com um conflito psicológico entre o negociador e o líder do grupo de criminosos. Porém, Spike Lee deixou o filme com uma cara muito mais interessante ao criticar de forma sutil alguns acontecimentos e comportamentos da sociedade americana.

A primeira crítica e talvez a mais aparente, acontece quando um dos reféns é liberado. O problema é que esse não qualquer refém. É um cidadão sikh. Mas quando os policiais percebem a barba e o turbante do rapaz, logo o chamam de árabe e fica clara a preocupação com um possível ataque terrorista. Alguns policiais se aproximam com violência e tiram o turbante do homem que fica desesperado. Já em uma sala reservada, percebemos como o personagem de Willem Dafoe, capitão da polícia responsável, tenta convencer o rapaz de que ele não havia ouvido a palavra árabe no momento em que a polícia o abordou na porta do banco.

Em outro momento, o diretor direciona uma crítica a indústria de jogos violentos. Na cena, um menino, que também está mantido como refém, joga um pequeno videogame. O jogo é extremamente violento e estimula a venda de drogas como forma de crescimento do personagem.

Talvez a crítica mais sutil, porém a mais severa que Spike Lee nos apresenta está no momento em que Madeline, personagem interpretada por Jodie Foster, é revistada antes de entrar no banco para negociar com os criminosos. No momento em que ela levanta os braços, sua sombra nos remete à uma fotografia de um iraquiano sendo torturado por militares norte-americanos. A imagem havia sido divulgada na época e agitou a opnião pública nos EUA.

Por esses e outro motivos, como a figura de Denzel Washington no papel do negociador Keith Frazier, a bela interpretação de Jodie Foster da misteriosa Madeline, que O Plano Perfeito é um filme diferente do que nós esperamos antes de assistir. Vale a pena conferir!

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Guilherme Maia

Sangue Negro (Paul Thomas Anderson)

•13/10/2009 • Deixe um comentário

therewillbebloodThere will be blood. Esta talvez seja a conclusão do diretor Paul Thomas Anderson sobre o conflito entre o capitalismo e o fanatismo religioso. Conflito que se estabelece claramente em Sangue Negro, através das impecáveis atuações de Daniel Day-Lewis e Paul Dano. O primeiro, representa um visionário mineirador em busca de sua obsessão: o petróleo. Extremamente ganancioso, Daniel Plainview é a figura que representa o capitalismo em seu estado mais crítico e cru. Já Paul Dano, está do outro lado do conflito. Ele representa Eli Sunday um carismático pastor que, aos poucos, se mostra refém de um fanatismo religioso sem proporções.

Durante os primeiros 15 minutos de filme, Anderson apresenta seu personagem principal, Daniel Plainview, de maneira nada convencional. Apenas o som da picareta de Daniel e alguns acordes dissonantes pontuais marcam o inicio da luta do personagem pela riqueza e pelo poder. Aos poucos, Plainview conquista seus objetivos. Os fins justificam os meios. Uma fórmula capitalista elevada ao extremo pelo diertor.

A religião, representada pelo pastor Eli Sunday, aparece na vida de Daniel e o coloca em um conflito interno. Nesse momento, o diretor coloca o dedo na ferida do fanatismo religioso que, provoca esse conflito e se aproveita dele para negociar seus interesses. Dentro desse universo, a cena em que Daniel Plainview é batizado deve ser destacada por vários motivos. É exatamente nessa cena que Anderson atinge o auge dessa “guerra”, portanto o auge de todo o filme. Além é claro das atuações, já elogiadas, dos dois pilares do filme: Daniel Day-Lewis e Paul Dano.

Enfim, um filme cheio de simbolismos que nos mostram um conflito extremamente atual. Talvez algumas pessoas achem que o filme é muito longo e cansativo, em alguns momentos um pouco parado, mas acho que tudo isso só se torna aparente se você não comprar a idéia de Paul Thomas Anderson e não enchergar essa discussão que ele traz dentro de sua narrativa.

Importante destacar a trilha sonora feita por Jonny Greenwood, líder da banda Radiohead. Uma análise dessa trilha seria uma ótima aula. Além de pontual, ela se destaca por ser mais um personagem dentro dessa trama intrigante de Anderson.

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Guilherme Maia

007 – Quantum of Solace (Marc Forster)

•06/10/2009 • Deixe um comentário

007 QUANTUM OF SOLACECom certeza, Quantum of Solace não é o melhor filme da série. Mesmo assim, não pode deixar de ser visto, afinal não ser o melhor de uma sequência impressionante de 22 filmes não é tão ruim assim.

O filme começa com uma cena de perseguição extremamente empolgante. Exatamente de onde Cassino Royale terminou. Aliás, as cena de perseguição são, como na maioria dos filmes do agente 007, os pontos altos do filme, até porque sua narrativa não é das mais interessantes e não tem uma sustentação muito forte.

James Bond vai atrás do responsável pelo assassinato do amor de sua vida e, para isso, passa por cima de tudo e de todos sem pensar nas consequências. Sua missão é motivada, puramente, pelo sentimento de vingança causado por uma ferida amorosa que ainda está aberta. Muito bonito, não é?

Acho que essa motivação não sustenta um personagem tão forte quanto o agente 007. Talvez se fosse um filme sobre um policial que, cansado de sua profissão, ao ter sua mulher assassinada larga seu trabalho para vingar a morte de sua amada. Agora, para o agente mais sedutor da história do cinema tudo parece forçado.

Além disso, no meio de sua jornada pela vingança, o agente acaba dormindo com Fields, uma mulher que vai encontrar Bond para tirá-lo dessa missão e beijando Camille, outra mulher que busca vingar a morte de sua familia. Estranho. Quer dizer que, nesses momentos, o agente se esqueceu de sua real motivação e se entregou às mulheres? Ou os roteiristas simplesmente jogaram esses fatos na história para não fugir muito da caracterização do personagem?

Enfim, apesar de tudo isso o filme tem uma ótima montagem. Uma das melhores que vi ultimamente. É claro que ainda perde para a montagem de Últimato Bourne, mas isso é assunto para um outro post.

Assista o filme sabendo que o que você está para ver é um James Bond moderno, bem diferente daquele que você estava acostumado (apesar da abertura do filme ter sido ao estilo clássico dos filmes de Bond).

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Guilherme Maia

O Resgate do Soldado Ryan (Steven Spielberg)

•01/10/2009 • Deixe um comentário

O RESGATE DO SOLDADO RYANProvavelmente você já ouviu alguém dizer: “Não gosto de filmes de guerra, o único que eu gostei foi O Resgate do Soldado Ryan…”. Sim, em um primeiro momento isso pode parecer estranho, um tanto quanto contraditório. Mas depois de ver algumas vezes o filme, percebi que, na verdade, faz todo sentido.

O filme de Steven Spielberg não é um filme de guerra. Claro que existe o contexto histórico do Dia D e a Segunda Guerra Mundial, mas o objetivo do diretor não é mostrar à você como esses fatos efetivamente aconteceram e penso que ele não deve ter passado grande parte de seu tempo preocupado em retratar de maneira fiel tais fatos. Na minha leitura, a preocupação de Spielberg estava mais na construção psicológica de seus personagens. Afinal, é disso que o filme se trata.

Um grupo de oito soldados, comandados por John Miller (Tom Hanks), tem a missão de enfrentar as frentes do exército francês para encontrar o soldado Ryan (Matt Damon). O problema é que, ao longo da missão, os soldados começam a tentar entender por qual motivo eles estão arriscando suas vidas para resgatar apenas um soldado. Uma pergunta que qualquer um faria a si mesmo em uma situação como essa. A resposta? Pergunte a cada um dos personagens de Spielberg. Tenho certeza que cada um deles lhe daria uma resposta diferente.

O que eu quero dizer, é que não é a resposta que motiva cada personagem e tranforma a narrativa. É justamente a pergunta que tem esse papel. O espectador nem se dá conta que o objetivo real da missão não é tão importante. Antes disso, ele já se vê entusiasmado pela atitude de cada soldado e é nesse ponto que Spielberg prende todos nós na tela.

Nos 20 primeiros minutos do filme o diretor nos mostra cenas violentas, cheias de sangue. Isso faz com que o espectador entenda todo o contexto que aqueles personegens estão inseridos e tudo o que eles estão enfrentando para cumprir a missão com honra e coragem.

Enfim, sem dúvida um dos melhores filmes de Steven Spielberg. E para quem está acostumado e, principalmente,  gosta dos inumeros efeitos especiais que são características dos filmes do diretor, com certeza não vai se decepcionar.

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Guilherme Maia

Os Intocáveis (Brian DePalma)

•28/09/2009 • 1 Comentário

OS INTOCAVEISConsiderado por muitos o melhor filme de Brian DePalma, o segundo melhor filme do gênero, perdendo apenas para a imbatível trilogia O Poderoso Chefão, Os Intocáveis (The Untouchables) mostra todo o perfeccionismo técnico de DePalma e uma trama que deixa o espectador sem piscar os olhos por 119 minutos.

Baseada em fatos reais, a história se passa na cidade de Chicago, em 1930, onde Eliot Ness, um jovem agente do FBI, tenta acabar com reinado de Al Capone, um dos pricipais mafiosos da cidade. Eliot consegue reunir uma pequena equipe de pessoas incorruptíveis e declra guerra ao mafioso e sua gangue.

É impossível falar de Brian DePalma e não falar da influência direta de Hitchcock em sua obra. Apesar de muitos falarem que o diretor copia o mestre do terror, apenas aqueles que realmente entendem o trabalho de DePalma conseguem perceber que alguns preciosismos técnicos são perfeitas homenagens ao trabalho de Alfred Hitchcock.

Apesar de muito criticado e, às vezes, pouco visto, Brian DePalma tem uma filmografia carregada de bons roteiros, atores consagrados, uma fotografia impecável, uma estética irretocável e uma técnica impressionante.

Os Intocáveis é prova disso. Um filme policial feito com tanta maestria que mesmo quem não gosta do gênero acaba se apaixonando por seus personagens. Uma estética noir de dar inveja a qualquer crítico ou especialista em arte. Um elenco sem igual. Um diretor que sabe fazer filmes do gênero. Enfim, só elogiosos para essa obra-prima da história do cinema.

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Guilherme Maia

Touro Indomável (Martin Scorsese)

•24/09/2009 • Deixe um comentário

TOURO INDOMÁVELQuase 20 anos após o lançamento de Touro Indomável, a crítica e os estudiosos de cinema rasgam elogios ao filme de Martin Scorsese, mas nem sempre ele foi assim. Em 1980, ano em que foi lançado, o filme recebeu duras críticas sobre as imagens forte violência e o realismo delas. Talvez porque, até então, não haviam muitos filmes que se importassem em mostrar com claresa uma luta de boxe, por exemplo. Na época, os filmes que faziam sucesso eram carregados de fantasias.

De repente, Robert De Niro conhece a história de Jake La Motta e resolve interpretá-lo na tela grande da maneira mais realista, crua e pessimista possível. Martin Scorsese e o roteirista Paul Schrader (autor de Taxi Driver) sofreram pra conseguir acertar o roteiro da maneira que De Niro queria. Isso porque um roteirista já tinha desistido do projeto após um milhão de versões reprovadas pelo ator.

Mas tanto perfeccionismo valeu a pena. Por sua chatice Robert De Niro fez com que Paul escreve o quer seria um de seus melhores roteiros (difícil falar que foi o melhor, pois Taxi Driver também é muito bom!) e com que Martin Scorsese um Oscar de melhor diretor. Claro que não podemos esquecer do talento de Scorsese que faria vários outros filmes geniais anos depois.

Enfim, um filme que demorou seis anos para começar a ser produzido desde a sua idéia inicial, custou 18 milhões de dólares, é considerado um dos melhores filmes da década de 1980, tem na direção Martin Scorsese e como ator principal Robert De Niro você não pode deixar de assistir, mesmo se você não gostar de boxe.

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Guilherme Maia

Nascido para Matar (Stanley Kubrick)

•21/09/2009 • Deixe um comentário

NASCIDO PARA MATARPara quem gosta dos filmes de guerra atuais, cheios de ação, tiros, mortes, explosões etc, eu não recomendo que assista “Nascido para Matar“. Na minha opinião, esse é um dos melhores filmes do diretor, mas pode deixar a desejar aos espectadores que esperam ver um “filme de guerra”. Apesar de estar dentro do contexto histórico da Guerra do Vietnã, o diretor fez um recorte muito mais interessante de uma guerra: seu lado psicológico. Enquanto vários diretores gastaram milhões para reproduzir com perfeição o ambiente e as explosões da guerra, Kubrick preferiu gastar milhões para reproduzir o psicológico de cada soldado e de toda a população americana da época.

Em um primeiro momento, Stanley Kubrick mostra o treinamento dos soldados americanos para a guerra. Nesse momento o diretor nos apresenta claramente a mudança psicológica de cada personagem conforme o treinamento avança. O comandante faz de tudo para que os novatos fuzileiros se transformem em verdadeiras “máquinas assassinas”. De maneira desumana, pouco a pouco, o comandante humilha cada um de seus pupilos, levando alguns fuzileiros à loucura extrema.

O olhar de Kubrick sobre a guerra e os soldados americanos é exatamente o oposto do que vemos na grande maioria dos filmes de guerra norte-americanos. Geralmente, o que assistimos são duas horas de um nacionalismo barato sem nenhum propósito, enquanto que o diretor nos apresenta nesse filme é o lado cruel desse nacionalismo ignorante. “Nascido para Matar” mostra o limite do absurdo sendo ultrapassado.

No que podemos chamar de “segunda parte” do filme, após uma cena forte envolvendo o assassinato do comandante e o suicídio de um dos fuzileiros, Kubrick resolve mostrar a guerra e como esse fuzileiros cheios de certezas sobre a sua importancia naquele país, se deparam com uma resistência muito mais consciente do que eles esperavam. Mais uma vez os problemas psicológicos de cada fuzileiro é nítido e tem relação direta com o resultado final da guerra.

No final, fica claro que nenhum daqueles fuzileiros queria estar lá. Nenhum norte-americano queria estar em uma guerra. Ninguém no mundo gostaria de participar de algo tão ignorante, sangrento e desumano.

Vale a pena conferir! Mas não espere um filme de guerra norte-americano!

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Guilherme Maia

Cães de Aluguel (Quentin Tarantino)

•21/09/2009 • Deixe um comentário

CAES DE ALUGUELNos dias de hoje, Quentin Tarantino já é conhecido por fazer filmes violentos, sangrentos, com situações no mínimo bizarras e personagens extremamente complexos, porém bastante objetivos. Em “Cães de Aluguel“, sua estréia como diretor, não poderia ser diferente. Como muitos ainda não conheciam Tarantino e não sabiam o que esperar do jovem diretor, as críticas foram pesadas quanto a violência e o excesso de sangue em algumas cenas. Mas tudo é justificado quando compramos a idéia de Tarantino. Para assistir um filme do diertor, temos saber que estamos assistindo um filme dele. Parece estranho falar isso, mas é verdade. Se você alugar “Cães de Aluguel” e assistir sem saber que o diretor é Quentin Tarantino e que, só por isso, você está prestes a assistir cenas bizarras de violência e muito sangue, talvez você não termine de ver o filme.

Apesar dessa fama que o diretor carrega, eu prefiro atentar para uma outra característica importante de seus filmes: os diálogos. Se você for um espectador desatento aos diálogos de Tarantino, você corre um sério risco de não entender o filme, ou pelo menos, de não entender porque tudo aquilo está acontecendo. Em “Cães de Aluguel“, logo no inicio do filme, em um diálogo que a princípio você vai achar que é uma “piada” do diretor, o espectador pode começar a ter contato com os personagens e perceber quais são sua intenções dentro da narrativa. São poucos diretores que conseguem fazer essa apresentação de personagens através de um diálogo que, aparentemente, é banal.

Ao ver o filme até o filnal, você percebe que nesse diálogo inicial, Quentin Tarantino já te contou todo o filme e você nem percebeu. Isso, é claro, se você não estiver horrorizado com as fortes cenas de sangue e violência.

Se você já conhece e gosta do trabalho de Tarantino , mas ainda não viu “Cães de Aluguel“, vale a pena conferir, afinal é o filme de estréia do diretor e você não vai se decepcionar! E se você nunca viu nada do diretor, comece por esse filme para conhecer melhor seu perfil.

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Guilherme Maia